Redepaz

 



Entrevista com Elaine Lavezzo
Elaine Lavezzo, professora da Escola Internacional de Alphaville e coordenadora do programa "Ondas Verdes" compartilha sua experiência no Encontro África 2004 da Redepaz. Elaine viajou à África a fim de apresentar o "Ondas Verdes", um projeto de comunicação social desenvolvido por seus alunos em parceria com os educandos da Fundação Orsa. O programa teve grande aceitação entre os jovens africanos e possibilitou uma rica troca de experiências.

Ondas Verdes alcançam a África
"Sou professora de Redação e Cultura Internacional na Escola Internacional, uma escola bilíngüe (Inglês/ Português) sócio-construtivista, em Alphaville. Temos alunos da pré-escola até o terceiro ano do ensino médio. É a única escola no Brasil que tem a matéria Cultura Internacional. Nesta matéria trabalho bastante com o manifesto de Cultura de Paz da UNESCO. Nas aulas, estudamos as diversas culturas dos povos. Todo mês temos palestras de pessoas relacionadas à comunidade que vêm à escola contar suas experiências de vivência em diferentes países: brasileiros que residiram fora ou estrangeiros vivendo no Brasil.

Neste ano, estamos estudando o continente africano e um dos projetos que eu coordeno é o "Sem Fronteiras", que visa integrar os estudantes do ensino médio da nossa escola e os educandos da Fundação ORSA. Os encontros acontecem na Escola Internacional e o intuito do trabalho é desenvolver um projeto de comunicação social. Em 2003 trabalhamos com a linguagem fotográfica e, em 2004, com o rádio. Assim, os alunos criaram o "Ondas Verdes", um programa de rádio para ser veiculado em escolas e ONGs. Isto foi possível graças a uma parceria com o Departamento de Rádio e TV da FAAP. O programa é dividido em três blocos. O primeiro bloco trata a questão da pluralidade cultural e manifestações afro-brasileiras: capoeira, maracatu e futebol. O segundo bloco trata do tema sexualidade e prevenção à AIDS. O terceiro é dedicado ao meio ambiente. O programa é acompanhado de um Roteiro do Educador a fim de auxiliar a discussão sobre os temas apresentados. Ondas Verdes foi o produto que eu levei para o Encontro da Redepaz em Gana, um programa desenvolvido por jovens brasileiros para ser trabalhado com jovens africanos e do resto do mundo."

A rádio que pegou a freqüência certa
"Nos dias em que estive na África, tive a oportunidade de apresentar, junto com Simone Ramounoulou, Diretora Executiva da Willis Harman House, o projeto Ondas Verdes. No dia 7 de agosto ele foi apresentado em Acra e no dia 8 em Aburi para um grupo de jovens líderes de diversos países: Austrália, África do Sul, Gana, Ilhas Maurício, Nigéria, Togo, Canadá, Estados Unidos, Nepal e Índia. A experiência foi tão frutífera que, ao voltar da África, encontrei um e-mail do Diretor Executivo da ONG Nigeriana Earth and Youth Initiatives. Ele assistiu à nossa apresentação e agora solicita nossa orientação para fazer um programa de rádio similar.

Depois de Gana, viajei para Moçambique a fim de levar a versão do programa em Português para o Ministério da Educação daquele País, graças ao apoio da advogada Cindy Zgouridi e da Embaixada do Brasil em Maputo. O Ministério da Educação de Moçambique utilizará o Ondas Verdes num programa de alfabetização de adultos para abordar a questão da prevenção à Aids. A ONG Pathfinder também trabalhará com o Ondas Verdes nas aldeias moçambicanas.

Um terra de Kofis Annans
"Fiquei muito surpreendida com os jovens com os quais trabalhamos. Eles são extremamente bem preparados para discussões e muito receptivos aos debates. Talvez isso seja fruto da tradição oral africana. Depois desse contato com os jovens líderes africanos, entendi como Gana consegue gerar um Kofi Annan, secretário-geral da ONU. Entre os temas trabalhados, o que mais repercutiu entre os jovens foi a questão da sexualidade e prevenção à AIDS. A doença se alastrou como uma epidemia avassaladora no continente, onde as condições de saúde pública são limitadas."

Além do Encontro oficial
"Além da programação do Encontro, Simone e eu tivemos oportunidade de entrar em contato com diversas comunidades, em Gana. A hospitalidade do povo de Gana foi impressionante. Somos muito gratas à Rainha Nana Apeadu e à dupla dinâmica Nina Meyerhof e Harriet Needles, do Children of Earth. Em Aburi visitamos escolas, uma biblioteca e várias outro lugares na companhia de Audrey Kitagawa e da Rainha Nana Apeadu. Foi uma experiência inesquecível. Graças à rainha, tivemos acesso à essência da sociedade africana."

Lição de casa
"Primeiramente, foi muito valioso conhecer jovens africanos extremamente bem preparados e poder ver a garra que eles têm. Volto ao Brasil com o desafio de trabalhar com os jovens da minha comunidade e de prepará-los cada vez mais. Sou candidata a vereadora por Barueri e a experiência africana fez crescer meu compromisso com meu trabalho baseado no Protagonismo Juvenil.
Quando voltei para o Brasil encontrei os alunos ansiosos para saber como foi a viagem. A curiosidade não era sobre turismo, mas sobre a cultura dos africanos. Cheguei no Brasil às cinco da manhã e, à uma da tarde, já estava na escola. Foi uma alegria imensa para os alunos. Quinta-feira passaremos o dia inteiro conversando sobre a África e sobre a epidemia da Aids no mundo.
Depois que voltei, passei dez dias em silêncio. Vejo que temos várias Áfricas no Brasil. Trabalho tanto com adolescentes que têm acesso à internet e passaporte livre pelo planeta, como com jovens que se alimentam graças às refeições oferecidas pelas ongs. A Educação para a Paz é uma forma de aproximar esses dois mundos, geograficamente próximos, mas socialmente tão distantes."

Como um lápis se multiplica em mil lápis
"Nesse semestre eu trabalhei o continente africano com alunos do ensino fundamental e médio. E a aula mais marcante foi quando trabalhamos a leitura de dois textos sobre as crianças e os jovens africanos. O primeiro texto apresentado aos alunos foi uma reportagem publicada na revista Veja, mostrando as crianças na guerra. A leitura seguinte foi de um trecho sobre a Etiópia do livro Ébano, escrito pelo jornalista polonês Ryszard Kapuscinski que destacava o seguinte:

“Há ainda algo mais sobre as crianças. Basta parar num vilarejo, numa cidadezinha ou mesmo no meio do descampado para imediatamente surgir um grupo de crianças. Todas maltrapilhas, com camisas e calções em farrapos. Seu único bem e alimento é uma cuia com um pouco de água. Qualquer pedaço de pão ou de banana desaparece em segundos. Para essas crianças a fome é algo permanente, parte da vida, uma coisa natural. Mas o que elas pedem não é pão nem frutas, e nem mesmo dinheiro. Elas pedem um lápis.”

Depois do trabalho com este texto a aluna Gabriela Zürcher, da 7a série, idealizou a campanha Apenas um lápis. Gabriela propôs a arrecadação de lápis para as crianças africanas. Em casa, a menina de 13 anos conversou com o pai e pediu que ele entrasse em contato com uma importante empresa fabricante de lápis. Gabriela arrecadou mais de mil lápis que eu levei para a África, para a rainha Nana Apeadu, em Gana, e para Moçambique.

Isso foi fruto de um trabalho em sala de aula que repercutiu mundo afora. Se os alunos fizeram isso pelas crianças africanas, logo perceberão que podem fazer muito pelo nosso País."

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