É possível gerar um mundo diferente

Revista Consulado da Mulher - 00/00/0000

Crédito: Alexandra Ebert


Conservar o meio ambiente é necessário. Trabalhar também. Seguindo essa linha, a onda do desenvolvimento sustentável, que une esses dois aspectos, veio para ficar! E para falar do assunto, a Revista do Consulado da Mulher convidou Simone Ramounoulou, diretora executiva no Brasil da organização The Natural Step que atua com projetos nas áreas de educação, desenvolvimento humano, pesquisa científica e planejamento estratégico com foco na sustentabilidade. Confira!


Revista do Consulado: Como a sociedade vê o desenvolvimento sustentável?


Simone Ramounoulou: Acredito que a visão de sustentabilidade ainda tem de ser muito bem aprendida e aplicada em todos os níveis. Refiro-me desde as grandes companhias até as menores empresas e também ao quintal da casa da gente. É uma questão de conscientização. As pessoas precisam saber o que está acontecendo com o planeta e trabalhar para melhorá-lo. Não adianta todos(as) só ficarem com medo do aquecimento global ou da falta de água. É preciso fazer algo para evitá-los.


Revista do Consulado: De que maneira as pessoas podem contribuir para essa causa?


Simone: Aí está o papel da grande mídia em apresentar soluções e não apenas os desastres, como furacões, tempestades, secas etc. Quando, por exemplo, economizamos energia elétrica, água, ou cuidamos do nosso lixo, colaboramos para manter nosso planeta, cidade, bairro e, assim, melhoramos nossas vidas.


Revista do Consulado: E no campo de trabalho, como você vê a aplicação da sustentabilidade na atuação com mulheres?


Simone: Eu acredito que o papel da mulher é muito grande. Ela tem a possibilidade, a capacidade, a força interior de criar e nutrir novos processos, trazer novas oportunidades e educar as pessoas que estão em sua volta. E isso até com seu próprio exemplo e garra. Mas é preciso que não haja competição e, sim complemento entre seu trabalho e o dos homens ou de outras mulheres. É possível atuar dessa forma. Creio que a sustentabilidade exista e apareça com a dimensão que ela tem hoje, porque proporciona transformação, gera um mundo diferente.


Revista do Consulado: Falta algo para que essa transformação aconteça?


Simone: Sim. Está faltando parar, olhar e entender o que está acontecendo e, em seguida, colaborar. Mas não só conosco, aqui no Brasil, como no mundo inteiro. É importante fazer com que as mulheres percebam que elas têm muita responsabilidade nisso, já que são capazes de trazer o novo, de fazer com que as coisas evoluam, bem como de se desenvolver no trabalho, na  reconstrução da sociedade e na família. Elas têm o dom de envolver quem está próximo(a). Daí a sua importância.


Revista do Consulado: Que conselho você daria para as pessoas que querem formar um negócio sustentável hoje?


Simone: Fazer o que é bom para elas, aos negócios, à sociedade e ao meio ambiente. A gente não pode destruir uma coisa para construir outra. Precisamos criar processos simples, que não estraguem o que está em nossa volta e melhorem o que é possível. Diálogo também é importante. As pessoas devem ter uma atitude amigável e construtiva uma com as outras. Não devem ser agressivas ou exigentes. Se não competimos, não criamos conflitos, geramos uma ação diferente, de construção e de desenvolvimento. Dessa forma, há mudanças na cultura do empreendimento todo. Não é só teoria, é verdade! Mas, não adianta apenas falar. Se a gente fala e não faz, não resolve. É preciso mudar a maneira como vemos o mundo e as pessoas que estão nele.

Revista do Consulado: Como você vê o surgimento de cooperativas e empreendimentos populares que têm criado uma nova forma de trabalho e renda, aliada ao meio ambiente?


Simone: Eu vejo que grupos pequenos podem fazer grandes diferenças. Então, iniciativas como as do Consulado da Mulher são importantes pelo fato de reunir pessoas, de tê-las trabalhando juntas, aplicando o que cada uma sabe. Tudo isso cria uma nova cultura. Se vários grupos pequenos se unem, formam um grande. E vários grandes, criam um maior ainda. Trabalhar em rede é essencial, inicialmente, naquilo que as pessoas já sabem fazer, pois dá a elas a oportunidade de ter acesso a novos conhecimentos, aprimorar-se e enxergar o mundo de forma ampla. Mais uma coisa: a gente também tem de saber que mudanças acontecem pouco a pouco. É preciso cuidado, paciência e muita força de vontade para mudar e transformar a nossa vida, o meio em que vivemos. Enfim, o nosso planeta.


Box:


O que é desenvolvimento sustentável?


A partir da segunda metade do século XIX, pesquisas afirmam que a destruição do meio ambiente e suas conseqüências no mundo são resultado do descontrolado crescimento da população e da super exploração dos recursos naturais.


Com a intenção de discutir e encontrar soluções para esse problema, a  organização das Nações Unidas (ONU) promoveu em 1972 uma conferência, que criou a Declaração sobre o Ambiente Humano. O documento define desenvolvimento sustentável como aquele que atende as necessidades da população hoje possibilitando que seus(suas) filhos(as) e netos(as) possam usar os mesmos recursos que a natureza oferece atualmente.


Mas, o que isso quer dizer? Que todos(as) devem preservar o meio em que vivem, preferindo produtos reciclados, fazendo coleta seletiva e plantando árvores. Também com o desenvolvimento de empreendimentos que trabalhem com o reaproveitamento de materiais. Enfim, pela reconstrução do planeta e por um futuro digno às próximas gerações.

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